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Sedação Consciente. Como ficar tranquilo na cadeira do dentista

Para lá de todos os avanços técnicos, clínicos e científicos, há uma área decisiva na medicina dentária em que nunca devemos deixar de investir: a relação com o paciente. Por vezes, fala-se apenas em tratamentos ou prestação de serviços, mas acredito que o que está verdadeiramente em causa são as relações que estabelecemos com as pessoas. Quanto melhor for essa relação, maior confiança estabelecemos. E a partir daí também temos mais sucesso nos tratamentos.

Serve isto para introduzir a forma como olhamos para um novo recurso que temos à disposição, e que cada vez mais nos permite tratar casos anteriormente impossíveis: a chamada Sedação Consciente. Hoje em dia, aqueles pacientes mais complicados que por variadíssimas razões pura e simplesmente não conseguiam sentar-se na cadeira de um dentista, conseguem fazê-lo, acabando por ser tratados no tempo certo e com os procedimentos apropriados para a urgência dos seus problemas.

Ter a Sedação Consciente como recurso não significa, no entanto, que se entre no facilitismo. Esse estado de calma para o qual transportamos os pacientes, através de uma mistura de óxido nitroso com oxigênio, que os mantém acordados e em serenidade, deve ser provocado apenas em pessoas que apresentam necessidade real, nomeadamente em casos de ansiedade extrema. É também recurso para algumas crianças que, além da mesma ansiedade, têm igualmente maior dificuldade em entender a naturalidade das propostas de tratamento que apresentamos.

Só devemos chegar à Sedação Consciente, insisto, se o nosso investimento na relação com o paciente não nos permitir chegar onde queremos. E isso acontece porque há muitas pessoas ainda hoje com receio de uma ida dentista, marcadas por uma ideia antiga – e nem por isso errada – de que num consultório se sofria, e muito. É claro que a realidade hoje é totalmente diferente, mas cabe à medicina dentária continuar a demonstrar isso mesmo todos os dias, através da prática clínica e da forma como se apresenta. Um consultório não tem necessariamente de ser uma espécie de cave, onde toda a gente tem receio de entrar. Ir ao dentista pode ser – tem que ser! – uma experiência positiva, e criar essa experiência é a nossa obrigação.

Neste sentido, a Sedação Consciente é só mais um passo importante naquilo que é medicina dentária moderna. É um recurso, entre todos os que hoje podem ajudar a fazer serenar os pacientes. E se explicado, imediatamente se percebem as suas vantagens. Por exemplo: a Sedação Consciente evita desde logo que, em alguns tratamentos mais exigentes, se obrigue uma pessoa a entrar num bloco operatório e a fazer uma anestesia geral, com todos os riscos ou implicações da mesma. No caso das crianças, acima de tudo permite tratar problemas cedo, no tempo certo, precavendo complicações e tratamentos mais complexos no futuro.

Perante os recursos e experiência de que hoje dispomos sabemos que uma criança de quatro ou cinco anos que tenha um problema sério e apresente um quadro de ansiedade comprometedor, é naturalmente uma forte candidata a um tratamento por Sedação Consciente. Se não existe outra a alternativa e se as técnicas de sedação de que dispomos são seguras e eficazes, por que razão forçar uma criança a aguardar por tratamentos mais severos no futuro?

Já não pode ser por medo ou ansiedade que colocamos em causa a saúde oral. Arrisque falar com o dentista. Muito provavelmente vai ser surpreendido com uma abordagem que lhe inspira confiança. E se for necessário, já sabe, pode sempre recorrer à Sedação Consciente.

Obrigado e boa semana,

Gonçalo Dias

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