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Recuperação. A qualidade de vida depois do cancro

Caros amigos. Aí está um tema delicado. Cancro. A estatística parece assustadora, diz-nos que uma em cada quatro ou cinco pessoas vai provavelmente contrair uma forma da doença. Mas também sabemos, por outro lado, que a medicina está a dar cada vez melhor resposta e hoje temos taxas de sucesso surpreendentes nos tratamentos. Importa conhecer, discutir, falar, porque a informação também é parte da resposta. Melhora o tratamento.

No caso específico da medicina dentária, os pacientes oncológicos dividem-se em dois grupos: os que contraíram a doença e sofrem, de forma mais ou menos acentuada, implicações na saúde oral; e os que têm tumores localizados especificamente na área da cabeça ou pescoço, e entram ainda mais ainda que se pode chamar o nosso raio de ação.

As situações não são de todo comparáveis. O primeiro caso é o do paciente que se assemelha ao paciente imunodeprimido, mais suscetível a vários problemas de saúde, incluindo a nível oral, desde cáries, gengivas frequentemente inflamadas, ou outros decorrentes do tipo de tratamento a que é sujeito (ex: quimioterapia, radioterapia, etc).

O segundo caso, que aborda os tumores da cabeça, boca e pescoço, é bastante mais complexo. À partida estão em causa pacientes que, devido à radioterapia, irão ter como consequência a destruição das glândulas salivares, diminuindo a produção de saliva, essa importante proteção da boca contra ameaças como as bactérias, etc.

Naturalmente, estes pacientes também serão imunodeprimidos, incorrendo nas mesmas consequências sistémicas que já referimos. Para os pacientes sujeitos a cirurgia para remoção do tumor podem existir consequências como a perda de tecidos, de dentes, ou de maxilar. A degradação ou ausência de tecidos é um entrave ao suporte de próteses e, obviamente, a qualidade de vida dos pacientes é severamente prejudicada e difícil de recuperar.

Os últimos anos trouxeram, no entanto, evoluções importantes a este nível. O primeiro objetivo que se coloca sempre – a eliminação do tumor – passou a ser conciliado com a reabilitação. Para muitos pacientes existem hoje procedimentos que nos permitem minimizar os riscos da radioterapia, planeando ao mesmo tempo uma reabilitação com implantes. Ou seja, já não se trata apenas de combater o tumor, mas igualmente de salvaguardar a qualidade de vida posterior.

Nestes casos, o acompanhamento de um médico dentista com experiência específica é decisivo. Os tratamentos do cancro oral são cada vez mais evoluídos, visando uma maior qualidade de vida dos pacientes. No entanto, convém não esquecer, porque isso está sobejamente estudado e documentado, que existem fatores de risco, como o álcool e o tabaco, que podemos evitar. O melhor tratamento é sempre a prevenção.

Obrigado,

Gonçalo Dias

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