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O desafio do açúcar

É um instante. Passa o Verão, distraíamo-nos e quando damos por nós estamos no Natal. É tempo de celebração, tempo de família, tempo de felicidade, tempo de mesas fartas, o que não é necessariamente mau, pelo contrário, assim consigamos ter noção dos excessos e consigamos reduzi-los a... excepções.

Amigas e amigos, neste Natal proponho um pequeno desafio: celebrar, com tudo o que isso implica, mas tendo consciência do problema de saúde pública que é o consumo excessivo de açúcar. Ou seja, vamos festejar, mas lembrando que as excepções não devem ser regras e que devemos ser ponderados no dia-a-dia. Porque o que está em causa é a nossa saúde.

O açúcar está relacionado com a obesidade e excesso de peso, doenças cardiovasculares e diabetes tipo II, bem como com a degradação dos dentes e da boa. O açúcar é mesmo um inimigo público. Não se trata de ser alarmante, mas, de facto, de contribuir para a consciencialização. Aliás, é a Organização Mundial de Saúde que recomenda vivamente a redução da ingestão de açúcares, para cerca de 50 gramas por dia. E em Portugal continuamos acima disso, com valores preocupantes tanto em crianças como adultos.

No caso específico da saúde oral, existe uma relação dinâmica entre os açúcares, ou os hidratos de carbono fermentáveis (alimentos como o pão também se transformam em açúcar) e a saúde oral. O tipo de dieta afecta a integridade dos dentes, acidez e composição da saliva, bem como a placa bacteriana que se forma nos dentes entre as refeições e a escovagem. As bactérias servem-se dessas substâncias para produzir ácidos que levam à destruição do esmalte dos dentes, formando cavidades que podem aumentar e atingir camadas mais profundas, provocando dor e em última instância perda de dentes. Afectam também as gengivas, causando doenças gengivais.

Existem cáries hoje comuns, que só se generalizaram depois da II Guerra Mundial quando a utilização de açúcar, em excesso, se tornou uma prática social. Antes disso, essas cáries não existiam, o que é demonstrativo da nossa responsabilidade e dos nossos comportamentos. Além da quantidade, a frequência de ingestão de açúcar é também relevante, pois o consumo permanente significa exposição aos ácidos mais prolongada. Este processo está ainda dependente da susceptibilidade e características próprias de cada indivíduo.

Deste modo, uma dieta saudável associada a uma boa higiene oral (escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia, durante dois minutos; utilizar fio dentário) e prevenção (consultar o médico-dentista duas vezes por ano), são a melhor forma de proteger os dentes e desfrutar de uma boa saúde no geral.

Significa isto retirar o açúcar da nossa vida? Não é o que se pretende, é aliás impossível, até porque está presente em muitos alimentos. Especialmente em mesas fartas como no Natal. Mas fica o desafio de, pelo menos, percebermos que existem muitas oportunidades ao longo do ano para sermos ponderados, melhorando a nossa saúde e a nossa qualidade de vida.

Divirtam-se! Feliz Natal!

Gonçalo Dias

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