Blog

Estalidos. Afinal o que se passa com a minha boca?

Um dia chega aquele estalido, que se repete a cada movimento. Às vezes parece até acompanhado com dores ou incómodo muscular. Mas que estalido será este na minha boca?

O caso é bem comum e chega-nos com alguma frequência. O estalido, além de um incómodo, é sinal de um problema. O incómodo está na articulação temporo-mandibular, que liga os maxilares inferior, superior e o crânio. Quando o estalido aparece, está a dizer-nos a articulação esteve sujeita a qualquer sobrecarga anormal, ou seja, significa que foi submetida a um desequilíbrio ou pressão que a leva a funcionar mal. O mesmo é dizer que o problema vem de outro lado...

É nesta altura que o paciente já deve estar a marcar consulta com o seu dentista. Porque se o estalido não é propriamente algo que se cure, a boa notícia é que podemos tratar e corrigir as suas causas na origem, precavendo até que o maxilar possa evoluir para disfunções mais graves (que podem incluir cirurgia).

São vários os problemas que podem estar na origem. O estalido surge por exemplo em pacientes que têm bruxismo (pessoas que rangem e desgastam os dentes, enquanto dormem ou na vida diária), ou em pacientes com outros problemas ortodônticos ou de dentição persistentes. São problemas que, regra geral, começaram cedo, por vezes na infância, e acabaram por causar uma oclusão deficiente da boca ao longo dos anos. Os maxilares superior e inferior foram deixando de se relacionar convenientemente, colocaram a articulação temporo-mandibular em esforço progressivo e permanente, e o estalido apareceu.

Uma boca normal é aquela que, quando fechada, tem os lábios unidos e os dentes afastados. Quando em contacto, os maxilares devem permitir o contacto inter-dentário de um modo equilibrado. Um início de tratamento começa precisamente por perceber qual a causa da disfunção, evoluindo depois para soluções diversas, normalmente de utilização de aparelhos e de (re)posicionamento de dentes.

Evitar o tratamento pode contribuir para cenários complexos, mais difíceis de recuperar (clinicamente e no tempo) e que até podem envolver questões estéticas mais delicadas para os pacientes. Importa por isso marcar uma sua consulta. Vamos estar atentos?

Obrigado,
Bom fim-de-semana!

Gonçalo Dias

Partilhar