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E se o seu filho partir um dente lá na escola?

Aconteceu na família, ou com o filho de uns amigos, ou com um coleguinha da escola. Já toda a gente ouviu esta história. Infelizmente, um dia o telefone toca e chega a notícia: o seu filho partiu o dente! E agora? Perdeu-o para sempre, pode ser reimplantado ou reconstruído? O que faço?

Vamos por partes. Em primeiro lugar não há razão para entrar em pânico. De uma forma ou de outra, importa ter noção de que a evolução da medicina dentária nos permite hoje trabalhar uma solução, mesmo para as situações mais complicadas.

Comecemos pelos casos com dentes de leite. Se a perda do dente for total, a boa notícia é que o substituto, mais tarde ou mais cedo, vai nascer naquele sítio. Importa de qualquer forma ir ao dentista, claro, fazer uma avaliação. E importa depois acompanhar o caso, fazendo alguma monitorização, essencialmente para assegurar que o espaço para o novo dente não começa a ficar afectado.

Se o dente de leite partir parcialmente, ou se sofrer apenas um traumatismo, importa também ir ao dentista quanto antes. É importante avaliar e, por exemplo, perceber o estado da raiz. O dente pode vir a manter-se, ou não. Aliás, é normal um dente afectado escurecer, sinal de que a raiz também partiu e perdeu a vitalidade. De uma forma ou de outra, o fundamental é sempre monitorizar.

Falemos agora dos azares com dentes definitivos. Aqui, a reacção rápida pode mesmo fazer a diferença. Se o seu filho partir um dente na escola, importa deslocar-se quanto antes ao dentista, com o dente acondicionado numa solução de leite ou até na própria saliva. A taxa de sucesso numa reconstrução é directamente proporcional ao tempo de reacção. Por isso, a agilidade é aqui muito importante.

Existem casos de perda total do dente e da raiz, o que implica que a única solução seja um implante. Como estamos a falar de crianças ou adolescentes, ainda em fase de crescimento ósseo, neste caso aplicam-se muitas vezes soluções transitórias (até ao implante definitivo já por volta dos 18 ou 19 anos) porque o bem-estar e autoestima são decisivos – e também por aí importa proteger o pequeno paciente, ajudando a salvaguardar toda a sua integração social.

Já aqui referi, precisamente, o caso da criança que partiu um dente numa brincadeira de escola. Na GSD acompanhámos o caso e toda a evolução ao longo da adolescência, numa experiência tão desafiante do ponto de vista clínico, como reconfortante do ponto de vista pessoal. Doente e paciente tornam-se parceiros perante um momento difícil e ficam amigos para a vida. É um orgulho!

Obrigado! E bom fim-de-semana!
 
 
Gonçalo Dias

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